"E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Passar-Elas
Quem nunca sonhou com a vida após a morte, que atire a primeira nuvem.
A dois, diz-se que é possível viver.
- Nunca vi, nem quero ver.
- Mesmo? Não tens nem um pouco de curiosidade?
- Não, já sou dois.
- Mas eu não sou dois, eu sou um só.
- Seja por tua própria conta, então. Deixa-me, que sou dois.
- Deixem-me só, então.
Agora é tudo escuro. Ilusões e alegrias, brisas marinhas. Marolas, buracos, coqueiros, pôres e dispôres do Sóu.
Sou só um. Quem é dois?
A última vez que lhe fui falar sobre ser 1+1, partindo para longe já ia. Mal tive chance de me despedir.
A tristeza que chove em mim quando penso naquele capítulo d@ livrida é mais triste do que posso sentir.
E daí?
Foi com pressa que se foi. Terá mesmo ido?
Uma mulher e um homem, 2 em 1.
Terão mesmo ido?
Passarelas do passado - ao passar por elas há de se tomar cuidado.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
"A Música funde todas as partes separadas do nosso corpo em uma só"
Adoro esseu olhar blasé
Eu, que sei que não vi quase tudo
Nem mesmo os déjà vu que já vi
Só vi sua frase em qualquer lugar no mundo
No virtual mundo d@ internetédio
Nu, mudo e líquido, escorro pelas cordas do violão, pelos versos da canção, pelo timbre do timbal, pela lua do luau e pelos lábios da cantorardente
Num átimo, os meus átomos dançam, pulam e ululam no ritmo e no tom do istmo do som que conecta o meu corpo continente à minha incontinente mente
Inteiro, íntegro, intrigado, instigado, invado o ínterim deste improvável insulto ao surto do luto.
Pois, sim, claro, está óbvio e claro que tudo o que proponho não pode ser equivalente a, simplesmente, nada que eu não sonho.
De verdade, de ver a vaidade deveras desgostosa, desprezível e destrutiva, concluo que o que aquele ser-no-instante-e-espaço-do-ser-si soube dizer foi-será-é acertadamente, ElieWieselmente, infalivelmente, provavelmente, puresimplesmente, exatamente isso mesmo: "O único poder ao qual o humano deveria aspirar é o que ele exerce sobre si mesmo"
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Parecia ser o maior dos misantropos
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
- Pra onde vai sua cabeça, Vanessa? - Minha cabeça vai nessa...
domingo, 9 de setembro de 2012
Tem uma mulher que crê que tudo o que brilha é ouro
A mulher, de pele austral e olhos boreais, bradou e sapateou - como não poderia ela comprar uma escada para o Céu?
Evidente que ela é a Dona do Mundo. Nenhuma árvore frutifica sem sua permissão, nenhum rio corre contra sua vontade, nenhuma onda quebra fora do seu ritmo.
- Eu sei que a senhora é a Dona do Mundo... mas o Céu, aí já são outros quinhentos - insistiu o menino.
Que petulância! Pensou a mulher, um moleque deste tamanho, de pés descalços e peito nu, dizer o que a Dona do Mundo pode ou não fazer! Ora, vamos!
- Pergunta pra qualquer um, então. Eu não minto não, dona. - defendeu-se a criança.
A mulher, então, rodou o mundo todo perguntando a cada homem e mulher, a cada árvore, a cada tamanduá, a cada tartaruga e demais animais, e a cada montanha, a cada rio e mar e todos responderam o que ela queria escutar.
- Ah pois, a senhora só perguntou aos adultos! E, além do mais, por ser Dona do Mundo, todos lhe responderam o que queria. Mas pergunte agora aos que são jovens demais para saber falar, e vamos ver o que vai dar!
Então a Dona perguntou a cada neném, a cada pequeno animalzinho, a cada broto, a cada nascente, mas não obteve resposta alguma, pois eram jovens demais para poder falar.
- Pois é, às vezes a melhor resposta é a que não se dá. Se eu fosse a senhora, ficaria com o silêncio destes e quietaria com esse negócio de comprar uma escada pro Céu. Não é bom o bastante aqui na Terra? Já tentou pisar descalça no chão e ouvir a voz que vem vibrando ao coração? Bem, eu sou só uma criança, tudo o que sei é cantar e brincar, e tudo o que tenho é uma flauta e eu mesmo. Agora vou andando que o vento vem ventando, me chamando. Se você prestar atenção, vai ouvir ele cantando que tudo é um e um é tudo... Sim, o vento não é mudo...
A criança saiu cantarolando até sumir de vista.
E a tal mulher ainda quer comprar uma escada para o Céu.
Livremente inspirado em Stairway to Heaven, do Led Zeppelin.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Nansa-Peponã-Apoatê
Não se compo(r)te, descompo(r)te-se
Saia dessa compota em que lhe mantêm açucarado e afetado
Permita-se comer a vida nua e crua, pura e dura
Portador da chama que perdura
Não porte a dor, só amor
A porta está aberta:
Abre-sai-a-mor-te!
sábado, 25 de agosto de 2012
Confissão do não-poeta
Minhas rimas são porcas, tortas, mortas;
Admito, aliás, que nunca fiz, não pretendo, não faço poesia;
Na verdade, meus caros e baratos, é a poesia que me faz dia após dia.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
O que é que a Bahia tem?
"Eu escrevi 400 canções e Dorival Caymmi 70.
Mas ele tem 70 canções perfeitas e eu não."
- Caetano Veloso
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Eu conheci uma casa que morreu afogada.
Dedicado a Arte Prado.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Pássaro sem asa, Peixe fora d'água
Pássaro sem asa,
Peixe fora d'água,
Eu não sou dois, mas sou mais de um. Quando virás me visitar?
Por que insistes em cantar no vácuo e nadar no nada?
Pássaro sem asa,
Peixe fora d'água,
O passado já passou, mas sua sombra ainda assombra.
Ensina-me a esquecer, ensina-me a aprender.
Pássaro sem asa,
Peixe fora d'água,
Não podes me ensinar nada que não aprendeste. Então aprende-me,
Apreende-me na tua aquariola, no teu gaiolário.
Pássaro sem asa,
Peixe fora d'água,
Tuas penas de pedra, tuas escamas de papel. Tem pena de mim,
Tem minha mente nos teus esquemas esquivos.
Pássaro sem asa,
Peixe fora d'água,
Nada na minha boca, ar nos meus pulmões. Afoga-me no Fogo,
Nega-me, renega-me, sintetiza-me, antitetiza-me.
Pássaro sem asa,
Peixe fora d'água,
Pintor sem tela,
Eu sem Ela.
Livremente inspirado na canção Pássaro sem asa, do disco Eu não sou dois, de Teca Calazans e Ricardo Vilas.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Fui girar
se refugiar
Fugir para dentro
do que se quer achar
Cuidado com a cuca
que a cuca te pega
Te pega daqui, te pega de lá
Esfriar a cuca
Ficar numa boa
Viver aprendendo a ser uma pessoa
O mundo dá voltas
É roda gigante
É montanha russa a rodopiar
Hoje sou eu
Amanhã é você
E assim a gente aprende a viver
domingo, 5 de agosto de 2012
Pensamente
sábado, 4 de agosto de 2012
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Cantar pra quê?
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| Fonte: antpitta.com |
dialéticas, diabéticas,
diarréicas,
reduzidas ao olho inteiro da semiótica,
onde o saci compra seus óculos - monóculos.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Por que eu troquei a prosa pelo verso?
A prosa rumina, o verso vomita;
A prosa beija, o verso morde;
A prosa mira, o verso atira;
A prosa anda, o verso pula;
A prosa explica, o verso implica;
A prosa entende, o verso ...?;
A prosa vai, o verso vem;
A prosa busca, o verso perde;
A prosa é vidro, o verso é pedra;
A prosa é certa, o verso é louco;
A prosa é presa, o verso preda;
A prosa é presa, o verso é solto;
A prosa é parto, o verso é perto;
A prosa pede, o verso manda;
A prosa pensa, o verso pulsa;
A prosa prende, o verso solta;
A prosa é praia, o verso é Mar;
A prosa é rei, o verso é servo.
O servo serve. O rei só serve pra posar.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Por que eu prefiro o simples em vez do complexo?
P.S.: Tentei achar uma foto que representasse bem "o simples", mas todas me pareceram muito complexas e conclui que seria mais simples deixar o post sem imagem ilustrativa.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Agradeça a todas as pessoas, coisas e fatos que se vão. Novas e boas coisas estão chegando.
Ao abandonar o passado, agradeça a ele. Não persiga quem se afasta de você. Abandone o apego. As pessoas se vão porque já cumpriram a tarefa de contribuir de algum modo para o desenvolvimento de sua alma. Se alguém quer se afastar de você, agradeça-lhe por tudo e deixe-o partir. Neste momento, prepara-se uma "vaga" para ser ocupada por um(a) novo(a) amigo(a) ou um(a) novo(a) namorado(a).
Do livro A Felicidade da Mulher - Masaharu Taniguchi
segunda-feira, 7 de maio de 2012
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Vírus e Mamíferos
Qual o significado da existência dos vírus?
Eles podem ser considerados seres viventes?
Enquanto outros seres parecem coexistir em harmonia com o ambiente, os vírus são expressão de consumo e destruição. Sua proliferação e o declínio do ser infectado são, muitas vezes, concomitantes.
Mas isso não é exclusivo dos vírus... podemos ver esse sinal destrutivo quando há superpopulação de uma espécie - tudo logo se "desequilibra".
Todo crescimento desenfreado traz caos e morte. O crescimento desenfreado dos vírus leva ao fim do hospedeiro; o crescimento desenfreado de células - o câncer - destrói impiedosamente o próprio organismo; o crescimento desenfreado de uma população causa o esgotamento dos recursos do habitat e a destruição da própria população ou espécie. Isto é o que parece estar acontecendo com a espécie humana; seu desenfreado crescimento está ocasionando terríveis "desequilibrios" globais.
Quanto maior a capacidade de criar, maior também o poder de destruir.
Deixo-nos, agora, com o provocativo Agente Smith :
terça-feira, 10 de abril de 2012
Kami Yamaki Urihipë, Nossa Terra-Floresta
Para os Yanomami, urihi, a terra-floresta, não é um mero espaço inerte de exploração econômica (o que alguns chamam de “natureza”) Trata-se de uma entidade viva, inserida numa complexa dinámica cosmológica de intercâmbios entre humanos e não-humanos. Como tal, se encontra hoje ameaçada pela predação cega dos brancos. Na visão do líder Davi Kopenawa Yanomami:
"A terra-floresta só pode morrer se for destruída pelos brancos. Então, os riachos sumirão, a terra ficará friável, as árvores secarão e as pedras das montanhas racharão com o calor. Os espíritos xapiripë, que moram nas serras e ficam brincando na floresta, acabarão fugindo. Seus pais, os xamãs, não poderão mais chamá-los para nos proteger. A terra-floresta se tornará seca e vazia. Os xamãs não poderão mais deter as fumaças-epidemias e os seres maléficos que nos adoecem. Assim, todos morrerão."
fonte: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ya
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Gita
Eu sou filho da terra
Eu sou filho do ar
Eu sou filho do fogo
Eu sou filho do mar
Eu estou aqui
Eu estou lá
Eu estou em tudo
Pois eu também sou Gita
segunda-feira, 19 de março de 2012
A Fonte
Na Natureza existe a fonte de tudo que nos transmite a sensação de belo.
Tudo que a humanidade fabrica não passa de uma "cópia da Natureza". Muitos pensam que a felicidade do ser humano consiste em fabricar e consumir tais "cópias", mesmo que isso resulte na destruição da Natureza. Estão completamente equivocados.
Do livro Shokan Zakkan, part 7 - Masanobu Taniguchi
domingo, 11 de março de 2012
Ouroboros

Foto: Amy Loves Yah
Na Natureza não existe, realmente, nenhum detrito, nada que seja inútil.
Os excrementos de um ser vivo, ou algo que ele usou e deixou sobrar, são utilizados por outros seres vivos como alimento ou outro fim. Assim funciona a Natureza. Do mesmo modo, a humanidade também não tem outro rumo a seguir senão assimilar a vontade divina expressada na Natureza, e aplicar isso nas nossas indústrias.
Do livro Primeiro Passo para a Paz - Masanobu Taniguchi
sábado, 10 de março de 2012
Música das árvores
YEARS from Bartholomäus Traubeck on Vimeo.
Fonte: http://blogs.discoverybrasil.uol.com.br/treehugger/2012/02/toca-discos-modificado-le-musica-em-aneis-de-arvores-video.html
Não é o melhor do Jethro Tull. Prefiro o Heavy Horses.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Riqueza
É rico quem encontra beleza numa simples grama do jardim, no trinado de uma pequena ave, na nuvem branca que flutua no céu.
Mesmo que você possua poucos bens materiais, se sabe apreciar plenamente a beleza, o valor e a perfeição existentes em todas as coisas, é uma pessoa verdadeiramente rica.
Do livro Convite à Felicidade, v.1 - Masaharu Taniguchi
Um Índio - Caetano Veloso
Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante
Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias
Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá
Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico
Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito
Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio









