É muito fácil reclamar enquanto você fica no sofá, confortável demais pra levantar.
Assiste a novela, o futebol e o faustão, e depois vai no facebook falar mal da nação.
Porquê não assiste a TV Câmara, a TV Senado e não lê a Constituição?
O brasileiro ainda é muito torcedor e pouco cidadão...
E eu não sou exceção:
Pra frente Mengão! Vai Mengão!
Só que não.
"E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Diábologo
- Realidade...? Vamos falar de alguma coisa menos absurda, não?
- Ora, vamos, há de se falar dela mais cedo ou mais tarde.
- Não, não. Nego-me a despender minhas sílabas com algo tão estapafúrdio.
- Nem um pouco modesto quanto ao valor de suas sílabas... São elas reais?
- Mais do que as suas!
- Ora, vamos...
- Quê?
- Dialoguemos como adultos.
- Adultos não têm a menor graça, por que hei de imitá-los?
- Você se acha real?
- Já disse que não tenho interesse no assunto.
- Mas já começamos - há pouco me disse que suas sílabas são mais reais que as minhas.
- Fazem mais sentido!
- Então, ser real é fazer sentido?
- Não, ser real é ser do rei!
- Faz sentido.
- Aceitei sua provocação.
- Eu sei, continue.
- Se cair a coroa, porém, acaba a realidade!
- Então você acha que a realidade é mutável?
- Forjável!
- E quem é o ferreiro?
- Cada cabeça é!
- E o ferro?
- As memórias são de ferro.
- Concordo, enferrujam com o tempo...
- E são moldadas no calor da alma e pelas mãos do desejo de cada ferreiro-cabeça.
- Creio que entendi seu ponto.
- Duvido muito...
- Por quê?
- Não tenho ponto, tenho vírgulas! Nada em mim termina, tudo sempre continua, , ,
- Ora, vamos, há de se falar dela mais cedo ou mais tarde.
- Não, não. Nego-me a despender minhas sílabas com algo tão estapafúrdio.
- Nem um pouco modesto quanto ao valor de suas sílabas... São elas reais?
- Mais do que as suas!
- Ora, vamos...
- Quê?
- Dialoguemos como adultos.
- Adultos não têm a menor graça, por que hei de imitá-los?
- Você se acha real?
- Já disse que não tenho interesse no assunto.
- Mas já começamos - há pouco me disse que suas sílabas são mais reais que as minhas.
- Fazem mais sentido!
- Então, ser real é fazer sentido?
- Não, ser real é ser do rei!
- Faz sentido.
- Aceitei sua provocação.
- Eu sei, continue.
- Se cair a coroa, porém, acaba a realidade!
- Então você acha que a realidade é mutável?
- Forjável!
- E quem é o ferreiro?
- Cada cabeça é!
- E o ferro?
- As memórias são de ferro.
- Concordo, enferrujam com o tempo...
- E são moldadas no calor da alma e pelas mãos do desejo de cada ferreiro-cabeça.
- Creio que entendi seu ponto.
- Duvido muito...
- Por quê?
- Não tenho ponto, tenho vírgulas! Nada em mim termina, tudo sempre continua, , ,
sábado, 15 de junho de 2013
Mestres da Guerra
"Senhores Da Guerra"
Bob Dylan
Venham seus senhores da guerra
Vocês que constroem as grandes armas
Vocês que constroem os aviões da morte
Vocês que constroem todas as bombas
Vocês que se escondem atrás das paredes
Vocês que se escondem atrás das mesas
Eu só quero que vocês saibam
Que eu enxergo através de suas mascaras
Vocês que nunca fizeram nada
A não ser criar para destruir
Vocês brincam com meu mundo
Como se fosse seu brinquedinho
Vocês colocam uma arma em minha mão
E se escondem da minha vista
E viram e fogem
Quando as rajadas de balas voam
Como Judas do passado
Vocês mentem e enganam
Uma guerra mundial pode ser vencida
Você quer que eu acredite
Mas eu enxergo através de seus olhos
E eu enxergo através de sua mente
Como enxergo através da água
Que escorre pelo meu ralo
Vocês apertam os gatilhos
Para os outros atirarem
Então vocês se afastam e assistem
Enquanto a contagem dos mortos aumenta
Vocês se escondem em suas mansões
Enquanto o sangue dos jovens
Escorre dos seus corpos
E se perde na lama
Vocês jogaram o pior dos medos
Que possa ser lançado
Medo de trazer crianças
Para o mundo
Por ameaçarem meu filho
Ainda por nascer e sem nome
Vocês não valem o sangue
Que corre pelas suas veias
O quanto que eu sei
Para falar fora de hora?
Vocês podem dizer que sou jovem
Vocês podem dizer que sou inculto
Mas há uma coisa que eu sei
Embora eu seja mais novo que vocês
Nem Jesus jamais
Perdoaria o que vocês fazem
Deixa eu lhes fazer uma pergunta
Seu dinheiro é tão bom assim?
Poderia comprar seu perdão?
Vocês acham que poderia?
Acho que irão descobrir
Quando sua morte os encontrar
Nem todo o seu dinheiro
Poderá comprar sua alma de volta
E eu espero que vocês morram
E sua morte logo virá
Seguirei seu caixão
Na tarde pálida
E assistirei vocês serem abaixados
Para seu leito de morte
E ficarei de pé sob seu túmulo
Até ter certeza de que estão mortos
domingo, 14 de abril de 2013
sexta-feira, 15 de março de 2013
O rio, a mulher e os monges
Dois monges budistas estavam viajando, um era um monge senior e o outro um monge junior. Durante a viagem eles se aproximaram de um rio revolto. Às margens estava uma jovem mulher, claramente preocupada em como faria para chegar do outro lado.
O monge junior passou direto pela moça e atravessou o rio.
O monge senior ajudou a mulher, carregando-a até a outra margem do rio, onde a deixou. Então os monges continuaram sua viagem.
Ao longo da viagem, o monge senior percebeu alguma preocupação na mente do monge junior e perguntou o que estava acontecendo.
O monge junior disse,
"Como você pôde carregá-la daquele jeito? Você sabe que nós não podemos tocar em mulheres, é contra nosso modo de vida".
Então o monge senior respondeu,
"Eu deixei a mulher na margem do rio lá atrás, bem longe daqui, porque você a continua carregando?"
Autor desconhecido.
O monge junior passou direto pela moça e atravessou o rio.
O monge senior ajudou a mulher, carregando-a até a outra margem do rio, onde a deixou. Então os monges continuaram sua viagem.
Ao longo da viagem, o monge senior percebeu alguma preocupação na mente do monge junior e perguntou o que estava acontecendo.
O monge junior disse,
"Como você pôde carregá-la daquele jeito? Você sabe que nós não podemos tocar em mulheres, é contra nosso modo de vida".
Então o monge senior respondeu,
"Eu deixei a mulher na margem do rio lá atrás, bem longe daqui, porque você a continua carregando?"
Autor desconhecido.
terça-feira, 12 de março de 2013
Celuloverdose
"Árvores são poemas que a terra escreve para o céu.
Nós as derrubamos e as transformamos em papel para registrar todo nosso vazio."
Khalil Gibran
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Subir (Adultos, crianças e escadas)
A criança, que não estava bêbada, mas estava viva, sabia ouvir mas não podia entender. Continuou subindo.
O homem chegou mais perto e falou mais alto:
- Criança bêbada, desça já daí, essa escada é para adultos subirem, apenas. Você irá cair e morrer!
A criança, que não estava bêbada, mas estava viva, sabia ouvir mas não podia obedecer.
O homem insistiu, desta vez aos berros:
- Criança bêbada, desça já daí, essa escada é para adultos subirem, apenas. Você irá cair e morrer! Entendeu? Você irá cair e morrer! Desça já daí! Obedeça!
Sem resposta.
O homem, então, fez cumprir sua ordem: derrubou a escada com um empurrão.
- Obedeça!
A escada - a enorme escada - obedeceu, balançou, perdeu o equilíbrio e começou a se inclinar, como se estivesse com sono e quisesse dormir um pouco, deitada, estirada no chão.
A escada caiu.
- Rá! - exclamou o homem, sentindo algo parecido com o que se sente quando se mata uma mosca insolente e insuportavelmente ágil, ou quando se derruba uma criança teimosa de uma escada muito alta.
Silêncio. Nenhum 'aaaaahhh!' nem 'ai!' nem 'ui!'
Percorreu todo o comprimento da escada, estirada no chão. Nenhuma criança.
- Como...?
O homem, então, olhou para cima, como se quisesse ver se iria chover. Talvez houvessem nuvens carregadas. Seria bom se chovesse, mas só quando já estivesse em casa, sob seu teto protetor.
Não viu nuvem alguma. Viu outra coisa.
- Cooomo?!
O homem abriu a boca como se abre a boca quando se vê uma deusa, ou uma mulher tão linda quanto uma deusa, despir-se no meio da lua sem qualquer pudor, ou quando se vê uma criança no céu, subindo uma escada invisível, feita de sonho ou de fé.
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Ilustração por Anderson Lima
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
O pensador
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