- Realidade...? Vamos falar de alguma coisa menos absurda, não?
- Ora, vamos, há de se falar dela mais cedo ou mais tarde.
- Não, não. Nego-me a despender minhas sílabas com algo tão estapafúrdio.
- Nem um pouco modesto quanto ao valor de suas sílabas... São elas reais?
- Mais do que as suas!
- Ora, vamos...
- Quê?
- Dialoguemos como adultos.
- Adultos não têm a menor graça, por que hei de imitá-los?
- Você se acha real?
- Já disse que não tenho interesse no assunto.
- Mas já começamos - há pouco me disse que suas sílabas são mais reais que as minhas.
- Fazem mais sentido!
- Então, ser real é fazer sentido?
- Não, ser real é ser do rei!
- Faz sentido.
- Aceitei sua provocação.
- Eu sei, continue.
- Se cair a coroa, porém, acaba a realidade!
- Então você acha que a realidade é mutável?
- Forjável!
- E quem é o ferreiro?
- Cada cabeça é!
- E o ferro?
- As memórias são de ferro.
- Concordo, enferrujam com o tempo...
- E são moldadas no calor da alma e pelas mãos do desejo de cada ferreiro-cabeça.
- Creio que entendi seu ponto.
- Duvido muito...
- Por quê?
- Não tenho ponto, tenho vírgulas! Nada em mim termina, tudo sempre continua, , ,
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