Minha métrica é assimétrica;
Minhas rimas são porcas, tortas, mortas;
Admito, aliás, que nunca fiz, não pretendo, não faço poesia;
Na verdade, meus caros e baratos, é a poesia que me faz dia após dia.
"E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
sábado, 25 de agosto de 2012
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
O que é que a Bahia tem?
"O Dorival é um gênio.
Se eu pensar em música brasileira, eu vou sempre pensar em Dorival Caymmi.
Ele é uma pessoa incrivelmente sensível, uma criação incrível.
Isso sem falar no pintor, porque o Dorival também é um grande pintor."
- Tom Jobim
"Eu escrevi 400 canções e Dorival Caymmi 70.
Mas ele tem 70 canções perfeitas e eu não."
- Caetano Veloso
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
A noite que ele não veio foi
Foi de tristeza pra mim
Saveiro voltou sozinho
Triste noite foi pra mim
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
Saveiro partiu de noite foi
Madrugada não voltou
O marinheiro bonito
Sereia do mar levou
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
Nas ondas verdes do mar meu bem
Ele se foi afogar
Fez sua cama de noivo
No colo de Iemanjá
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Eu conheci uma casa que morreu afogada.
Por sorte - minha, inclusive, pois morei naquela casa - ninguém mais morreu, só ela.
Era uma boa casa, no geral.
Não machucava ninguém, não esfriava e nem esquentava demasiadamente.
Também nunca desabara em ninguém.
Era fácil de ser encontrada - as encomendas e as pessoas sempre chegavam; e difícil de ser confundida - não chegavam cartas nem visitas por engano.
O encanamento era honesto e desencanado, não tinha grilo com nada.
A rede elétrica também não deixava por menos: trazia energia na velocidade da luz! Mas também tinha sensatez, nunca deixou queimar nenhum aparelho. Que saudades daquela rede elétrica...
A pintura - que maravilha! Chega reluzia!
Os cômodos eram em número suficiente e bem dispostos, de modo que não era cansativo nem incômodo se deslocar de um para outro.
O teto era justo, mais do que qualquer juiz!
As paredes eram atenciosas: quantas conversas ouviram...
Sempre com muita atenção e sem interromper quem falava. Como era bom falar para aquelas paredes!
As portas - nunca vi mais bem educadas. Abriam e fechavam conforme necessário, com uma elegância de dar inveja em qualquer modelo. Não me lembro de nenhum problema de emperramento ou rangereza, nem de baques nem de inhenques.
E o que falar das janelas? Jamais conheci janelas mais generosas! Grandes e de vidro, eram bem permeáveis à luz e deslizavam suavemente para controlar o fluxo de ar.
Aquela era uma casa magnífica, mesmo...
Só tinha um - um único defeitinhozinho: o alicerce. Ou melhor, o terreno onde foi construído.
O chão... debaixo dela... o que tinha...
Há muitas especulações: uns dizem que era um charco, ou um brejo, ou um pântano, ou sei lá o quê; outros dizem que era mesmo areia movediça. Outros dizem que era um portal dimensional; e ainda há os que afirmam de pés juntos que a casa fora construída na garganta da Terra.
Enfim, teorias são muitas mas ninguém sabe ao certo a verdade e permanece o mistério.
Eu não sei, só sei que eu morei numa casa que afundou.
Dedicado a Arte Prado.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Pássaro sem asa, Peixe fora d'água
Cadê teu caminho? Aonde foi parar tua incomparável determinação?
Por onde passam agora os teus passos, Pássaro sem asa?Pássaro sem asa,
Peixe fora d'água,
Eu não sou dois, mas sou mais de um. Quando virás me visitar?
Por que insistes em cantar no vácuo e nadar no nada?
Pássaro sem asa,
Peixe fora d'água,
O passado já passou, mas sua sombra ainda assombra.
Ensina-me a esquecer, ensina-me a aprender.
Pássaro sem asa,
Peixe fora d'água,
Não podes me ensinar nada que não aprendeste. Então aprende-me,
Apreende-me na tua aquariola, no teu gaiolário.
Pássaro sem asa,
Peixe fora d'água,
Tuas penas de pedra, tuas escamas de papel. Tem pena de mim,
Tem minha mente nos teus esquemas esquivos.
Pássaro sem asa,
Peixe fora d'água,
Nada na minha boca, ar nos meus pulmões. Afoga-me no Fogo,
Nega-me, renega-me, sintetiza-me, antitetiza-me.
Pássaro sem asa,
Peixe fora d'água,
Pintor sem tela,
Eu sem Ela.
Livremente inspirado na canção Pássaro sem asa, do disco Eu não sou dois, de Teca Calazans e Ricardo Vilas.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Fui girar
Buscar um refúgio,
se refugiar
Fugir para dentro
do que se quer achar
Cuidado com a cuca
que a cuca te pega
Te pega daqui, te pega de lá
Esfriar a cuca
Ficar numa boa
Viver aprendendo a ser uma pessoa
O mundo dá voltas
É roda gigante
É montanha russa a rodopiar
Hoje sou eu
Amanhã é você
E assim a gente aprende a viver
se refugiar
Fugir para dentro
do que se quer achar
Cuidado com a cuca
que a cuca te pega
Te pega daqui, te pega de lá
Esfriar a cuca
Ficar numa boa
Viver aprendendo a ser uma pessoa
O mundo dá voltas
É roda gigante
É montanha russa a rodopiar
Hoje sou eu
Amanhã é você
E assim a gente aprende a viver
domingo, 5 de agosto de 2012
Pensamente
Muito cuidado, seja prudente
Se devanear assim, continuamente
Poderá se perder eternamente
No labirismo profundo da sua mente
sábado, 4 de agosto de 2012
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Cantar pra quê?
![]() |
| Fonte: antpitta.com |
Casaca-de-couro, Casaca-de-couro,
Canta pra eu ouvir!
Canta nada, menino...
Canta pra ser feliz!
A poética da pós-ética consiste na liberdade enclausurada
de uma gaiola empassarada
e de um presídio sem paredes,
sem muros,
sem grades.
A pós-ética da poética não passa de uma conduta de códigos decodificados em letras analfabéticas,
dialéticas, diabéticas,
diarréicas,
reduzidas ao olho inteiro da semiótica,
onde o saci compra seus óculos - monóculos.
dialéticas, diabéticas,
diarréicas,
reduzidas ao olho inteiro da semiótica,
onde o saci compra seus óculos - monóculos.
Monótonos monólogos de um ex-paradrapo que outrora parava os drapos e os drops de todos os sabores, cores, alturas e comprimentos de onda:
Ouço os ruídos dos ossos roídos pelo bicho de 7 cabeças.
São os ossos de uma árvore que já foi chamada Yggdrasil ou Árvore da Vida.
São os ossos de um velho osteoporótico, poroticósteo, ticosteóporo, ocitoropoetso;
mais vivo que um recém nascido;
Um velho caolho, com barba, cabelo e olho
Um velho que não envelheceu
Um velho que não nasceu
Um novelho,
Um novilho,
Um cordeiro, herdeiro da cor do céu
Um cordeiro que não morre
Um cordeiro cujo sangue é vinho e cuja carne é pão
Um cordeiro que é amor, vida e verdade;
Mas quem não acredita não entende
e quem acredita também não.
Assim, transformam o cordeiro em lobo e usam sua boca pra devorar o irmão.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Por que eu troquei a prosa pelo verso?
A prosa mastiga, o verso engole;
A prosa rumina, o verso vomita;
A prosa beija, o verso morde;
A prosa mira, o verso atira;
A prosa anda, o verso pula;
A prosa explica, o verso implica;
A prosa entende, o verso ...?;
A prosa vai, o verso vem;
A prosa busca, o verso perde;
A prosa é vidro, o verso é pedra;
A prosa é certa, o verso é louco;
A prosa é presa, o verso preda;
A prosa é presa, o verso é solto;
A prosa é parto, o verso é perto;
A prosa pede, o verso manda;
A prosa pensa, o verso pulsa;
A prosa prende, o verso solta;
A prosa é praia, o verso é Mar;
A prosa é rei, o verso é servo.
O servo serve. O rei só serve pra posar.
A prosa rumina, o verso vomita;
A prosa beija, o verso morde;
A prosa mira, o verso atira;
A prosa anda, o verso pula;
A prosa explica, o verso implica;
A prosa entende, o verso ...?;
A prosa vai, o verso vem;
A prosa busca, o verso perde;
A prosa é vidro, o verso é pedra;
A prosa é certa, o verso é louco;
A prosa é presa, o verso preda;
A prosa é presa, o verso é solto;
A prosa é parto, o verso é perto;
A prosa pede, o verso manda;
A prosa pensa, o verso pulsa;
A prosa prende, o verso solta;
A prosa é praia, o verso é Mar;
A prosa é rei, o verso é servo.
O servo serve. O rei só serve pra posar.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Por que eu prefiro o simples em vez do complexo?
É simples: eu prefiro o simples em vez do complexo porque o simples é muito mais simples que o complexo.
P.S.: Tentei achar uma foto que representasse bem "o simples", mas todas me pareceram muito complexas e conclui que seria mais simples deixar o post sem imagem ilustrativa.
P.S.: Tentei achar uma foto que representasse bem "o simples", mas todas me pareceram muito complexas e conclui que seria mais simples deixar o post sem imagem ilustrativa.
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