sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Parecia ser o maior dos misantropos

Mas, pouco a pouco, revela-se um inveterado filantropo
Pensava que fugia das pessoas
Mas sempre esteve em busca delas
"A felicidade só é real quando compartilhada"
A realidade pouco a pouco se desvela
O coração pouco a pouco se rebela
E libera todo o sentimento que estava represado, reprimido
O tempo não para, é preciso aproveitar cada noite e cada manhã
Só saberá receber aquele que dá
"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar, na verdade não há..."


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

- Pra onde vai sua cabeça, Vanessa? - Minha cabeça vai nessa...

As pessoas nos deixam alegres ou nos deixam tristes, mas não nos pertencem. 
Nem pertencemos a elas. 
Às vezes, é por isso mesmo que elas nos deixam tristes, ou com raiva, - por não serem nossas. 
Quando crianças, achamos que podemos ter tudo, mas quando crescemos, aprendemos (ou deveríamos) que o mundo não gira ao redor do próprio umbigo - bem, de certa forma sim, mas há de se considerar também os umbigos dos outros! 
Nem todo pensamento pode se manifestar fora da mente, ou então o mundo se tornaria um caos.
Mas ora, a vida é, no fundo, puro instinto. Toda vontade é vontade de poder, é vontade de foder, é vontade de viver - eternamente através das gerações.
A vida é palco, a gente é elenco. A face é mascara, o gesto é sexo. O pedido é ordem, a palavra é testemunho. A obediência é favor, o presente é obrigado.
Viver é nascer, foder, morrer. Cada um escolhe como e porquê.
O viajante diz, caminhando: viver para ver, viver viajando!
E o poeta - que é o mesmo - diz, declamando: viver por amor, viver amando!

domingo, 9 de setembro de 2012

Tem uma mulher que crê que tudo o que brilha é ouro

- Nem tudo o que brilha é ouro, dona - disse o menino - A senhora não pode comprar uma escada pro Céu.
A mulher, de pele austral e olhos boreais, bradou e sapateou - como não poderia ela comprar uma escada para o Céu?
Evidente que ela é a Dona do Mundo. Nenhuma árvore frutifica sem sua permissão, nenhum rio corre contra sua vontade, nenhuma onda quebra fora do seu ritmo.
- Eu sei que a senhora é a Dona do Mundo... mas o Céu, aí já são outros quinhentos - insistiu o menino.
Que petulância! Pensou a mulher, um moleque deste tamanho, de pés descalços e peito nu, dizer o que a Dona do Mundo pode ou não fazer! Ora, vamos!
- Pergunta pra qualquer um, então. Eu não minto não, dona. - defendeu-se a criança.
A mulher, então, rodou o mundo todo perguntando a cada homem e mulher, a cada árvore, a cada tamanduá, a cada tartaruga e demais animais, e a cada montanha, a cada rio e mar e todos responderam o que ela queria escutar.
- Ah pois, a senhora só perguntou aos adultos! E, além do mais, por ser Dona do Mundo, todos lhe responderam o que queria. Mas pergunte agora aos que são jovens demais para saber falar, e vamos ver o que vai dar!
Então a Dona perguntou a cada neném, a cada pequeno animalzinho, a cada broto, a cada nascente, mas não obteve resposta alguma, pois eram jovens demais para poder falar.
- Pois é, às vezes a melhor resposta é a que não se dá. Se eu fosse a senhora, ficaria com o silêncio destes e quietaria com esse negócio de comprar uma escada pro Céu. Não é bom o bastante aqui na Terra? Já tentou pisar descalça no chão e ouvir a voz que vem vibrando ao coração? Bem, eu sou só uma criança, tudo o que sei é cantar e brincar, e tudo o que tenho é uma flauta e eu mesmo. Agora vou andando que o vento vem ventando, me chamando. Se você prestar atenção, vai ouvir ele cantando que tudo é um e um é tudo... Sim, o vento não é mudo...

A criança saiu cantarolando até sumir de vista.
E a tal mulher ainda quer comprar uma escada para o Céu.


Livremente inspirado em Stairway to Heaven, do Led Zeppelin.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Nansa-Peponã-Apoatê


Não se compo(r)te, descompo(r)te-se
Saia dessa compota em que lhe mantêm açucarado e afetado
Permita-se comer a vida nua e crua, pura e dura
Portador da chama que perdura
Não porte a dor, só amor
A porta está aberta:
Abre-sai-a-mor-te!